
Barone gravando no Real World a bateria
de "Viernes 3 AM".
Entrevista com João Barone, na íntegra, publicada
na revista Eco - Ano I - Nº0 - Dez 88
Na sala (de aula) com Barone
*reportagem retirada da revista
Backstage Nº21 - 1996
Devaneios sobre
Brasil, "Chimbal" e "Pirulito". - por João Barone
*reportagem retirada da revista
Modern Drummer Brasil, nº 08 - 1997
Os 10 discos
que mudaram a vida de João Barone (comentados por ele mesmo)
*reportagem retirada da revista
cover batera Ano 1 - nº 4
Entrevista com João Barone, na íntegra, publicada na revista Eco - Ano I - Nº0 - Dez 88
UMA LINGUAGEM MODERNA DE BATERIA
Qual é o segredo? Muita técnica ou simplesmente talento? Para a alegria de fãs e músicos, João Barone, baterista de "sucesso no Paralamas" é o entrevistado. Quem o inspirou? "Stewart Copeland". Barone não esconde que ficou "chapado" ao ver os clips do Police quando Copeland abusava de rock e reggae. Hoje, Barone soube reciclar as mais variadas informações e fundir seu próprio estilo: elementos de música brasileira, reggae e rock. Se você já toca ou mesmo pretende começar a tocar bateria, aguarde: Barone pretende "escrever algo menos ortodoxo", uma linguagem moderna de bateria! Que tal?
Eco: João Barone, que equipamento você está usando?
J.B.: Em meu equipamento atual tenho um Sampler SP 1200 com sons de "tracks" de percussão que usamos em meia dúzia de músicas. Tenho também uma Simmons SDS 5 com três "pads", sendo um de bumbo. A bateria é uma Tama Imperial Star com três ton-tons e três caixas, as quais vou revezando ao longo do show. Às vezes, é muito pancada e você tem que sempre ter uma de reserva. Tenho os três modelos: uma de 6", outra de 5" e uma de metal. Elas têm sempre o mesmo som, "meio esticado", que eu gosto e são usadas normalmente no reagge. Quanto aos pratos, uso o "Rude" da Paiste. Tenho um de 24" (que é um tamanho meio incomum!); tenho dois "crashes", um de 16" e de 18" e os outros são da linha 2002. Tenho um "Novo China" de 18", que por incrível que pareça, faz mais som que um de 22". Uso um "splash" e um "bell". Uso um chimbal médio de 13" que faz um som bem agudinho como eu gosto.
Eco: Os pratos normalmente são Paiste?
J.B.: É, calhou de ser. Eu estive em Los Angeles este ano e fui na fábrica da Paiste. Me fizeram uns descontos e comprei um de 24". No Brasil, quando não se tem patrocínio, poucos podem comprar as coisas e experimentá-las, como é comum. Fui comprando meus pratos e acabei ficando com esses.
Eco: Quanto aos acessórios, qual o seu critério para escolha?
J.B.: Eu fiquei no que comprei de primeira. Uso um pedal "King Beat", máquina de contra-tempo (chimbal) Tama e peles grossas, que duram mais e possuem um som mais encorpado. Como gosto de afinação meio alta, não uso normalmente as peles "hidráulicas", pois são macias e mais apropriadas para tirar um som mais grave do tambor. Geralmente, quando gravo com outras pessoas prefiro usar outros sons de bateria, como foi com o Ed Motta no Conexão Japeri e no novo disco do Kid Abelha, que gravei uma faixa. As baquetas eu considero como se fossem a raquete para um tenista. É importante fazer a escolha de acordo com o tamanho e peso. As ponteiras, uso de madeira. Atualmente, o pessoal vem dando importância às baquetas, já que temos mil modelos delas. Muitos ainda acham que elas são apenas os "pauzinhos para bater". As baquetas são tão importantes quanto o resto das peças da bateria, por que é o que você efetivamente usa para tocar. A boa baqueta, por si só, tem um bom som e equilíbrio. Pela densidade e veio da madeira você sabe se ela é boa ou não. As melhores tem um banho fino de verniz para não escorregarem. Aqui no Brasil, depois de muito tempo, temos baquetas de nível, a exemplo da Ibanez.
Eco: Você usa Ibanez?
J.B.: Às vezes, eu uso, mas é bem esporádico. O pessoal da Ibanez está fazendo um trabalho pioneiro, porque é a única baqueta nacional que tem vários modelos. O que eu acho inconveniente é a cor que elas tem atrás, pois eu costumo trabalhar com esse lado da baqueta e acabo manchando peles e pratos. Para eles, o uso da cor é para diferenciar os vários tipos de baquetas, quando o baterista vai escolhê-la na escola.
Eco: Dentro do rock nacional você é um dos bateristas de mais destaque e tem todas as características para ser o melhor. Para conquistar um alto nível como instrumentista, você estudou muito?
J.B.: Para tocar nunca fui ortodoxo, apesar de o meu trabalho ser uma coisa do tipo. Com isso, não estou me considerando nenhum "inovador supra-sumo", como existem por aí. Aqui no Brasil, existem bateristas fora do comum, a exemplo de Robertinho Silva, que é um mestre. Eu comecei a tocar na brincadeira. Tirava músicas de discos e com o tempo fui vendo como existem coisas comuns entre os bateristas que você achava super astros. O baterista do Bruce Springsteen, Mase Weiberg, escreveu um livro (Big Beat) com os primeiros bateristas de rock, a geração que tocava com o Elvis e James Brown. Lendo o livro achei algo em comum com ele, pois ele se empolgou a tocar, quando viu o Elvis pela primeira vez na TV; bastou um "riff" de caixa. Comigo foi a mesma coisa quando, em 78, eu estava em São Paulo assistindo TV e vi o Police. Fiquei "chapado" com o "batera", e quando vi o vídeo disse: "Quero ser baterista". Comecei tocando com alguns amigos da universidade, sem grandes pretensões e sem estudar; apenas ouvi as batidas de discos do Led Zeppelin e Cream. O que aconteceu é que várias coincidências me deixaram numa situação confortável. As pessoas me consideram um bom baterista porque toco com Herbert e Bi; eu acabei os conhecendo por acaso. Tudo aconteceu quando o baterista que iria acompanhá-los faltou, e eu fui apresentado para substituí-lo. Mais tarde passei a encontrar o Bi na faculdade e o convidava para que fôssemos "fazer um som". No almoxarifado da universidade havia uma bateria muito antiga, que estava empoeirada num canto. Era uma bateria italiana com pele animal, porque não dava pra colocar nylon. Para afinar eu precisei esquentar a pele com um jornal. A partir de então começamos a guardar um dinheirinho para alugarmos um estúdio e gravarmos uma fita. Chegando no estúdio, o técnico de som perguntou: "Como é que vocês vão tocar? Todos juntos ou vão fazer uma base? Neste instante, um virou para o outro e perguntou: "E aí, o que é base?". Foi sensacional. A coisa foi rolando e depois pintou a rádio Fluminense. Mandamos a fita "demo" para eles e conseguimos entrar na programação com "Vital e sua Moto". Foi uma das músicas mais pedidas no verão de 83 e, com isso, conseguimos assinar um contrato com a Odeon. A coisa tornou-se mais séria, apesar de estarmos estudando e trabalhando paralelamente. O primeiro LP tem uma porção de coisas meio perdoáveis por ser o primeiro trabalho. Hoje em dia o ouvimos e achamos legal, era uma fase que tínhamos que "nadar com a maré". Hoje todo o que faço é na base da experiência, da tentativa e erro, de uma maneira "osmótica" de assimilar. O importante é digerir as coisas e fazer com que elas tomem a sua intenção. A minha bateria, por exemplo, eu diria que é quase uma cópia da bateria do Copeland; simplesmente porque achei que era a confortável para mim. Quando ele esteve no Brasil, no ano passado, nós batemos um papo e eu dei algumas fitas nossas a ele. É um cara super legal, acessível e que me desmitificou aquela idéia que tinha dele. Hoje, estou fazendo o que gosto e de repente me dou a chance de experimentar as coisas.
Eco: Você tem a intenção de orientar o pessoal a respeito de estilo, "pegada" e outros macetes de bateria?
J.B.: Eu tenho vontade de escrever condensando o máximo de informações para o pessoal que já toca ou está começando a tocar. Também acho interessante a pessoa que quer aprender a tocar entrar em um conservatório, pois tem muita gente com bagagem para ensinar. O que eu vejo é que não existe nenhum tipo de literatura, como livretos e livros, principalmente para quem está começando. Eu queria ver se dava um "pontapé inicial", porque o que tem de literatura é muito pobre, defasado e ortodoxo demais. Eu poderia perfeitamente arranjar um cara que condensasse tudo isso num livro, mas não é bem o que eu estou a fim de fazer. Estou a fim de fazer uma coisa "feijão com arroz", uma coisa introdutória de rudimentos, para quem nunca tocou poder ter uma referência de por onde começar.
Eco: Muita gente aponta o Paralamas como sendo o rock brasileiro. Fora do Brasil, como o pessoal sente esse som?
J.B. Bem, quando a gente fala do exterior se refere basicamente à América do Sul, onde temos tocado com freqüência e temos movimentado o público. Em 86, a gente começou a dar shows no exterior; na Espanha, depois Argentina e, em 87, no Paraguai e Uruguai. No início deste ano, no Uruguai, depois do Holywood Rock, tocamos num festival e éramos uma das atrações mais esperadas. Fomos a última banda da noite, depois de terem tocado "97 mil" bandas locais e outros grandes nomes da Argentina, como Charly Garcia. Fechamos a noite com 25 mil pessoas esperando para ver a gente. Normalmente, tocamos para um público médio de 5 a 10 mil pessoas. Na América do Sul, o pessoal vê a coisa brasileira com uma certa dose de atualidade; sabe que não é tamborim gratuito, carnavalesco. Nunca tivemos vontade de fazer isso. Muita gente no cenário pop fica se debatendo quanto à originalidade do que está sendo feito. Eu acho que para o que a gente está fazendo, é a mesma coisa de que se ter um jogo de palavras cruzadas; você vai juntando as letras e de repente surge uma palavra. Todo mundo está cansado de saber que existe gosto para tudo. Dentro do rock têm coisas desde David Lee Roth até Madonna e Michael Jackson. Eles fazem coisas totalmente diferentes, mas estão naquele cenário. Enchem uma arena de 25 a 50 mil pessoas, ganham bilhões de dólares e vendem milhões de discos. No nosso caso, o que tentamos fazer é misturar coisas que pareçam brasileiras, ou que acabem dando uma nuance brasileira para o nosso trabalho. Eu fico imaginando as primeiras vezes que vieram as bandas de rock no Brasil e o pessoal, que nunca tinha visto um show, "chapava" com o que estavam vendo ali. Foi Rod Stewart; Frank Sinatra, que tocou no Maracanã; Iro Maiden, que tocou no Rock in Rio ou Supertramp. As pessoas têm essa referência; se você quer ver uma boa banda de rock, vê uma banda americana! Depois que vi o show do Bruce Springsten, a próxima pessoa que me perguntar o que é rock eu vou dizer "Bruce Springsten", porque foi um absurdo; é rock mesmo, é aquela batida, aquele "riff". O show do Peter Gabriel, por outro lado, também está num contexto de rock, mas é coisa "estrambólica". O Manu Katché estava louco pra conhecer mais música brasileira, estava querendo ir ao Rio. Na próxima vez que a gente se encontrar por aí, falei que iria mostrar algumas coisas pra ele.
Eco: Qual seria hoje a sua maior aspiração quanto músico, baterista e brasileiro?
J.B.: Na verdade é um conjunto de coisas que penso. Estou querendo comprar uma outra bateria, porque é um tal de monta e desmonta, que quero ter outra pra revezar. São coisas bobas. Quero ter um patrocínio, seja de uma firma de baquetas para ter baquetas, de pratos, de peles ou tambores. Tenho vontade de brevemente fazer algum trabalho meio acadêmico, ir para a escola, seja aqui no Brasil ou no exterior. Fazer uma "clínica", ver pessoas tocando. Aqui no Brasil, pelo fato de estar trabalhando muito, não estou com a antena voltada para isso; além do fato de que aqui no Brasil não existe uma estrutura nesse sentido. Os EUA é o mundo da bateria! Não se é verdade, mas li que existem "1 milhão de bateristas", tipo "bateristas" e "aspirantes". Desde 1 milhão, 0,1% são grandes nomes, como: Steve Gadd, Tony Williams entre vários outros. Tenho vontade de "sentar ao redor da fogueira" e assimilar, aprender com grandes nomes. Minha pretensão é tentar dar uma certa nuance, que eu nunca dei, a um lance mais ortodoxo. Acho que a minha linha limite é bem passível de eu estar ultrapassando, até o dia em que chegar e disser "daqui não passo"; mas acho que esse dia está muito longe mesmo. O lance é ir quebrando tudo, tocando, tocando...
João Barone Dá o Toque - PMI/EMI Music
Tomando o reggae como o ponto de partida para sua classe, João Barone faz um vídeo que é mais entretenimento que aula. A idéia é tentar agradar ao baterista principiante e mesmo ao simples fã de Barone ou dos Paralamas, sem, contudo, deixar de passar informações que satisfaçam aos bateras que estejam em um nível mais avançado. O resultado é um vídeo gostoso de se assistir, bem acabado visualmente, dinâmico e bem editado em seus, aproximadamente, 45 minutos. No entanto, tal tentativa de agradar a gregos e troianos acaba por deixar soltas as muitas boas dicas de Barone, em grande parte devido à ausência de uma didática eficiente capaz de amarrar teoria e prática. Assim, quem está simplesmente assistindo vai gostar das viradas e truques do baterista, mas quem está querendo aprender só vai conseguir tirar alguma coisa do vídeo se já possuir boa base teórica no estudo do instrumento.
João Barone Dá o Toque inicia com o batera dando uma geral no ritmo que é a linha-mestra de seu trabalho, o reggae, citando alguns de seus predecessores, como o calipso e o ska, bem como alguns de seus descendentes, como o dancehall e o raggamuffin. Tudo exemplificado. Barone também fala das misturas do reggae com ritmos brasileiros como o baião e o maracatu, e do intercâmbio do ritmo jamaicano com as músicas africana e baiana. Depois de demonstrar alguns sucessos dos Paralamas como Óculos, Perplexo e Meu Erro, Barone conta um pouco da sua história e fala de seus ídolos, entro os quais, Ringo Starr (Beatles), John Bonham (Led Zeppelin) e Stewart Copeland (Police). Fala também sobre sua afinação e abafamento, sobre a escolha do kit adequado, tratando desde o uso do pedal duplo e de peças adicionais como pads e samplers, até as diferenças nas linhas e modelos de pratos e a importância de se ter um conhecimento básico em estúdio. Mesmo abrangendo uma ampla gama de temas, o vídeo é pouco profundo e um tanto confuso. Ainda assim é agradável e deve ser mais útil para quem não espera aprender grandes lições com ele, valendo mesmo pela experiência passada por Barone. (L.A.C.)
Devaneios sobre Brasil, "Chimbal" e "Pirulito".
por João Barone
Na Inglaterra existe um
tribuna popular que funciona numa das esquinas dos passeios de pedestres em
pleno Hide Park e que se tornou uma atração popular. Todos os domingos, quem
quiser fazer um discurso, basta subir num caixotinho e mandar ver o seu desagravo
para uma participante platéia. Parece que esse espaço aqui na Modern Drummer
Brasil vai ser sempre muito esperado pelos leitores e promete um retorno na
seção de cartas sobre polêmicas ou pontos de vista aqui abordados. Inicialmente,
o que eu gostaria de comentar é um assunto que me incomoda muito: Por quê tudo
que é anunciado hoje em dia tem que ser em inglês?
Aprender um outro idioma sempre significou ampliar os horizontes culturais e
aprender mais sobre outro país e sua cultura - poder trocar informações e aumentar
a bagagem nos tantos campos profissionais e, no nosso caso, no campo musical.
Até aí, tudo bem. Mas alguém reparou como se tornou uma necessidade se "inglesar"
tanto no nosso dia a dia? Somos bombardeados pela mídia com a idéia de sofisticação
do "Estrangeiro que é melhor", mas o resultado é muitas vezes patético.
Quem não se irrita com tantos botecos, condomínios e produtos de todos os tipos
batizados em inglês, ou aqueles incrivelmente irritantes comerciais de TV cantado
num inglês muitas vezes macarrônico. Enquanto isso, em plena América Latina,
tratamos o espanhol com o corriqueiro desdém, fazendo com que pareça uma língua
estranhíssima, embora tão similar à nossa.
Sabemos que em determinados setores é muito comum surgirem termos técnicos ou
novas expressões provenientes de outras línguas - por exemplo, na música ou
na computação (groove, swing, delete, etc...). Mas essa tentativa de sofisticar
as coisas usando esse inglês desnecessariamente é um atestado de macaquice sem
tamanho. Talvez ainda leve muito tempo para que, naturalmente, reconheçam que
o português é um idioma muito bonito, que deveria ser mais valorizado. Afinal,
nossa música já está desbancando a música dos gringos no nosso próprio país...
Agora, o que "chimbal" e "pirulito" tem a haver com a história?
É que tenho uma tremenda implicância com esses dois termos usados no meio baterístico
e que gostaria de compartilhar com vocês. Às vezes, parece engraçado ouvir "bombo",
"tarol" ou "repinque", ou quando dizem "fulano bate
uma bateria legal". Mas, francamente, quando ouço chimbal e pirulito, sinto-me
bastante incomodado. Pode parecer bobagem, mas, para mim, bateria é coisa séria
e que merece ser tratada seriamente. Tenho até certeza de que se usarmos contra
tempo e maceta, essas partes do kit "soarão" bem melhor!
Os 10 discos que mudaram a vida de João Barone (comentados por ele mesmo)
Revolver (The Beatles) - Revolver é possivelmente meu disco favorito dos Beatles. As experiências que ficaram consagradas no Sargeant Pepper's começaram a surgir nesse disco. Ringo já estava "amadurecendo" seu estilo, menos "sujo", com uma pulsação fantástica - como em "Tax Man" e "Tomorrow Never Knows".
Rubber Soul (The Beatles) - É uma aula de canções simples e belas, nas quais Ringo está super bem colocado. Só ele mesmo conseguia dar aquelas viradas engraçadas, mas certeiras - como em "Drive My Car" - assim como inventar aquela batidinha sincopada de "In My Life". E que som de batera!
Álbum Branco (The Beatles) - O Álbum Branco é uma viagem com o melhor e o "pior" dos Beatles. Fica difícil falar de faixa por faixa, mas "Dear Prudence" é um clássico, no qual Ringo está inspirado, em especial no último refrão. "Helter Skelter", "Birthday", "Yer Blues"...
Outlando D'Amour (The Police) - Esse disco foi um impacto fulminante para um pobre beatlemaníaco frustrado. Energia, rapidez e simplicidade que faltavam no cenário da época. Quando vi o Copeland na TV e ouvi o disco até furar, estava certo do que gostaria de fazer na vida. Atentem para "No Time at All" e descubram o pedigree roqueiro do Rei do reggae/rock. O som de sua caixa nessa época ainda era meio Zep, assim como "Next to You" parece "Communication Breakdown".
Reggatta de Blanc (The Police) - Reggatta me fazia dar urros! Quanta coisa nova! Era o conceito do "menos é mais" sendo levado às últimas conseqüências - como se ouve na faixa-título. Depois ainda vinha "It's Alright For You" e o clássico "Message in a Bottle".
Synchronicity (The Police) - Esse álbum tem um ar de trilha de filme e já soava meio como o canto do cisne do Police. Para onde iriam depois desse disco? Enquanto pensava, ouvia todas as faixas "no talo", tirando aquela "maleada" do Andy Summers. "Miss Gredenco" é uma das melhores composições do Copeland. "Murder by Numbers" me lembrava de coisas do Dave Brubeck, além do que se tornou sucesso nas paradas.
Led Zeppelin I (Led Zeppelin) - Obrigatório para quem quer entender ou deixar de entender seja lá o que for sobre rock. Se ouço "Babe, I'm Gonna Leave You" ou "How Many More Times" tenho que parar e ficar em posição de sentido, com a mão no coração!!! Reparem na coleção de viradas em "How Many..."
Aqualung (Jethro Tull) - Aqualung me pegou pela voz incrível do Ian Anderson. Ouvia "Cross-Eyed Mary" dez vezes seguidas! O batera da época era um certo Clive Bunker, que saiu quando a banda começou a ficar famosa. Ele era muito bom.
Time Out (Dave
Brubeck Quartet) - Esse disco veio por tabela do meu pai e irmãos.
Adorava ouvir o solo de "Take Five" e também "Pick Up Sticks".
Era o grande Joe Morello fazendo das suas.
(*clique aqui para ouvir o solo de "Take Five" em RealAudio)
Fruto Proibido (Rita Lee & Tutti Frutti) - Rita Lee nos fez acreditar que o rock podia ser em português, assim como era com os Mutantes ou Raul Seixas. Era obrigatório nas festinhas... dei muitos amassos ao som de "Ovelha Negra"!